Você já esteve em uma das novas escolas “cívico-militar” do Estado de Mato Grosso? Não confunda estas com as escolas militares, são coisas diferentes, assim como água e óleo que não se misturam.
Os números mostram a velocidade da mudança para este modelo, já passam, segundo dados da secretaria de comunicação do estado, de 180 mil estudantes em escolas cívico-militar, o número representa 54% das matrículas da rede estadual. Mas você observou alguma mudança, além de algumas reformas na estrutura física?
São 263 escolas, uma média de 685 estudantes por escola (algumas com menos, outras com muito mais, claro), para referência, o estado conta com um total de 631 escolas estaduais, sim, 631 escolas para todo o território estadual.
Mas vamos começar pelo começo, quem são os militares, da equação ‘cívico-militar’?
Estes são profissionais da reserva, não estão na ativa e podem ter ido para a reserva após tempo de serviço militar mínimo ou idade limite, estes apesar de não estar na ativa, continuam a receber o salário militar.
Quem é a parte ‘cívico’?
Todo o restante que já existia e continua existindo, os mesmos professores, coordenadores e diretores, não há mudança alguma aqui, o material didático, as avaliações, os feriados... todos os fazeres e desfazeres continuam o mesmo.
O que muda no dia a dia?
Os estudantes, que chegam antes das 06h55, precisam estar em formação na quadra ou local reservado da escola, para cantar o hino nacional e fazer a formação, em fila e distância de um braço, para aqueles que chegam 07h00 ou 07h01, nada muda, eles devem ficar no corredor em postura de sentido para cantar o hino, não há nada que impeça o comportamento ou a atitude pró ativa de chegar atrasado, se atrasar, inclusive, não precisa participar do momento cívico na quadra com os colegas.
O que faz o militar?
Monitoria de corredor e pátio, eles não dão aula, não possuem formação para isso, não podem prender ninguém, afinal, as crianças não respondem criminalmente, não que a escola seja o lugar mais comum para ocorrerem crimes, normalmente estes acontecem fora da escola. A equipe militar também é responsável por uma segunda chamada, que ocorre após ou antes da chamada do professor regente, muitas vezes eles também batem na porta interromper a aula em andamento, a qualquer momento, para chamar um aluno ou dar recado, por vezes, tirando toda a concentração da turma.
E a segurança escolar?
Eles não são guardas, são militares de corredor, os portões estão abertos, eles não vigiam muros, quem entra ou sai, algumas escolas têm câmeras, mas não que essas façam alguma diferença, pois documentam ocorridos, e não defendem a segurança do ambiente.
E a disciplina?
Em sala, os alunos precisam entrar em formação e se apresentar para o professor, para cada aula ou troca de professor, 5 minutos dos já poucos 50 ou minutos de aula, o show de aparências parece mais forçar a redução de rendimento do que ser funcional.
Melhorou?
O Governo do Estado de Mato Grosso está com uma campanha na TV um salto milagroso em suas notas avaliativas, o estado agora está entre os 10 melhores em educação, para tal, precisamos entender que a forma de avaliar também mudou, é como avaliar que bebe mais água sem definir qual o mínimo ou quanto tempo você tem para atingir a meta, as regras da avaliação mudaram, se eu removo as exigências, estou exigindo algo?
A população?
Está amando a mudança, a ideia de que está melhor ou irá melhorar, é com certeza um estudo de caso sobre marketing e propaganda, precisamos agora só observar o longo prazo, a ordem e progresso social após adotar o modelo, é como maquiar uma batida na lataria do carro com esmalte brilhante achando que vai cobrir a perda total da coluna de sustentação.